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Mar 29, 2012
adormeço

suavemente, percorro todos os centimetros da tua imagem e abraço-os ao peito..
relembro as vezes que te olhei.. e de como me perdi no vazio do infinito espaço dos teus olhos.
são tão bonitas as perolas negras que em ti carregas, onde por vezes, aqui e ali, uma estrela cintila.
percorro o teu marmore sorriso, dente a dente, e dele, construo um templo no topo de uma montanha.
um dia, se quiseres, visitamo-lo os dois.
ao chegar
saimos para o patio,

e sob a noite, fechamos os olhos e abraçamo-nos..
ouvimos as estrelas
o vento
a noite..
navegamos a quente aurora de uma qualquer distante galaxia.




Posted at 02:29 pm by Omniom
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Mar 24, 2011
amoreira

desperto, nos meus lençois.
pela aragem e primeira claridade matinal que me invade a persiana,
tb tu me visitas.
vens a flutuar, de alguma terra distante, e pairas sobre o meu corpo.
o tempo abranda e ali, flutuando, esperas.
estico o braço, dou-te a mão e suavemente pousas os dedos.
puxo-te suavemente para mim e deito-te a meu lado.
no meio de nós, por dentro dos lençois, cresce uma amoreira, pequena e dourada.
dos seus ramos e folhas, além de amoras, crescem pequenos e doces favos de mel,
os quais, um a um,
vamos trincando..
á medida que o fazemos, vamo-nos perdendo e esqueçendo de tudo o que está lá fora..
aqui dentro somos só nós,
a flanela
as mãos
os corpos
as amoras
os mágicos favos de mel..
damos as mãos
e num ultimo e longo mergulho,
respiramos
a eterna e doce
vontade
de ser
mos
um......

Posted at 12:27 pm by Omniom
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Dec 1, 2008
noite

cobrem-se de sangue os lençóis.
meu. teu.
estou dilacerado
amassado
imobilizado
e vou derramando as entranhas nesta cal branca onde me arrasto e pinto de vermelho.
assombram-me máscaras.
assombram-me como se eu fosse transparente.
pairam e planam em torno do cérebro, do coração, como se vissem e soubessem exactamente a sua localização.
sugam-me lágrimas.
uma das máscaras é orgânica.
tem vida.
encontra-se no meio de uma festa, mas olha-me de modo estático e aterrador.
estou indefeso perante o ataque que poderia desferir de palavras que sabe, mas não diz.
outra é uma máscara desfocada. não sei bem o seu aspecto. apenas o imagino pelos contos e descrições que me penetram os ouvidos no meio do baile.
quer-me morder, deixar-me os braços negros.
mas não o faz.
já não o faz.
ainda há outra. uma máscara a sépia, sorridente e irritante.
mas não age. limita-se a pairar sobre mim.
assombro
e estás tu. no meio de toda esta festa aérea.
maestrina da hoste tripla, comandando a ópera negra e cruel.
e no final da noite, quando os espectadores se ausentam pela porta principal, eu fico só na sala, preso à minha cadeira e imobilizado sem me conseguir levantar.
de seguida vestem-se de fantasmas.
vestem, todos, fatos e máscaras de fantasmas
e ao saírem do palco de encontro a mim,
para efectuarem a vossa dança macabra e alucinante,
cospem-me ácido nas artérias.
eu vou chorando lágrimas
cristalizadas em cinza pelo horror do vosso baile
enquanto me vou derramando na cal branca,
agora, já toda ela coberta de sangue de venosas papoilas.

Posted at 09:32 am by Omniom
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Oct 11, 2008
de madeira

veio-me o estar no topo dum cipreste.
estava ao pé coxinho, na ponta do ramo mais alto e pontiagudo.
estava com o pé direito, não sei bem porquê..
talvez..
talvez por ter a perna direita mais comprida que a esquerda.
uns milímetros apenas, bem sei. mas por milímetros se perde e ganha calor.

fogos.
vi-te lá em baixo. afastavas-te.
à medida que o fazias, sentia cada vez mais o cipreste sob mim. sob o meu pé direito. sentia cada vez mais a ponta do ramo que me forçava a sola do sapato.
até que a furou. furou a sola do sapato. furou-me a sola do pé. forçava-se a entrar.
até que, assim que atingiu uma veia, parou.
senti a seiva que percorria os galhos ganhar força. senti toda a seiva e força do cipreste.
em silencio, sentindo apenas uma vibração silenciosa a ganhar força, a seiva penetrou-me a corrente sanguínea.
espalhava-se lentamente, endurecendo-me. misturava-se com o sangue e continuava o seu caminho.
pé, perna, anca..

via-te afastar.
afastavas-te, e o meu olhar perdia-se em ti. em mim.
perdia-se nos momentos que relembrava contigo.

tudo isso se ia diluindo.. perdia-se da minha memoria.. como se os relembrasse uma ultima vez antes que a seiva me atasse, e num ultimo abraço oprimido, penetrasse o coração.
doía-me. não pelo processo em si, mas porque sabia que assim que me tornasse todo eu seiva e cipreste, não teria mais memoria de ti. todo eu me tornaria vazio de ti.
seria eternidade e tempo. seria espaço e infinito.

já se notava a seiva no meu olhar, quem me olhasse via-a percorrer pela córnea, colando-se à minha íris castanha, tornando-me todo o olho madeira. mas ninguém o faria.
estava só, em cima do cipreste, transformando-me.

já quase não te via, perdias-te no horizonte.
antes da minha ultima gota de sangue se perder em seiva, ainda murmurei.. onde vais..? não vás..
volta. volta a mim e corta este galho que me anula. impede a seiva de me tornar madeira. impede a seiva de me tirar a dor que sinto por me tirar a dor de ti. impede-me esta árvore que me separa de ti. que me pacifica.
amo-te.
de todo o sangue. de toda a seiva.
um ultimo relâmpago de calor invade-me e tudo existe.
e nada.
estrelas, galáxias, árvores, deserto quente.
tu.

Posted at 11:29 am by Omniom
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Oct 10, 2008
até a propósito de algo

"sentado na mesa do café pensou nos lençóis da cama"
da cama.. qual delas?
pensou nisso
muito tempo.
pensou como se o tempo fosse eterno,
pensou como se fosse um pedaço de matéria negra
minúscula
despercebida
numa realidade diferente.
pensou até o café deixar de ser café
até deixar de ser ruína
até deixar de ser terra e vento.
pensou até mais longe ainda:
pensou até ser espaço
até ser negro
até ser tudo.
ser tudo. porque não?
pensou até a sua forma se dobrar
e se desmultiplicar em infinitas ondas azuis.
envolveu a galáxia num só pensamento.

Posted at 12:20 pm by Omniom
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Oct 9, 2008
carpete suja II

oiço, lá fora, o "canto dos astros".
diluo-me pelas persianas,
dissolvo-me no vento e nele parto.
tomo diversas formas,
estendo-me
enrolo-me
uivo.
ecoo pelo espaço
e ao ti chegar
solto uma pétala dos teus olhos
e nela me escondo -
até o vento em mim cessar.

Posted at 01:59 am by Omniom
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Oct 8, 2008
carpete suja

existir e ouvir a chuva.
diluir-me no escuro..
querer voar sobre os telhados,
ser todas as gotas
e todos os sonhos.
abater-me sobre tudo em água e
voltar a mim num só momento.
abrir os olhos vendo tudo
por tudo ter visto.

Posted at 12:18 pm by Omniom
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